"Viajar é também ler o território."
E, durante dois dias, foi exatamente isso que fizemos.
A XV Rota do Escritor chegou ao fim. Ou talvez não. Porque há viagens que terminam quando o autocarro estaciona em Arouca… e outras que continuam muito depois, nas conversas, nas fotografias, nas gargalhadas e na pergunta inevitável:
— E para o ano, onde vamos?
Ainda nem tínhamos regressado e já se falava na próxima Rota.
Isso diz quase tudo.
Foram dois dias intensos, quentes, mas sobretudo felizes. Trinta e três professores partiram de Arouca para uma viagem onde a literatura, a história e a amizade se encontraram de forma natural, provando, mais uma vez, que a melhor bagagem é sempre a companhia.
Porque, no fim, percebemos que a verdadeira Rota do Escritor não é apenas feita de lugares. É feita das pessoas que os percorrem.
A diversidade do grupo voltou a ser a sua maior riqueza. Cada um trouxe um olhar diferente, uma conversa inesperada, uma gargalhada oportuna ou um silêncio necessário. E foi essa diversidade que transformou uma simples viagem numa experiência de partilha, camaradagem e boa disposição.
Trancoso - Entre o Bandarra e as sardinhas
A primeira paragem levou-nos à histórica vila de Trancoso.
Percorremos o centro histórico, visitámos a estátua e o túmulo do Bandarra, o sapateiro-profeta que continua a habitar o imaginário português.
E como nenhuma boa visita vive apenas de história, também não faltaram as famosas sardinhas de Trancoso ao almoço, acompanhadas pelas histórias deliciosamente contadas pelo Sr. Adriano, o sacristão.
Casa da Ínsua - Um palácio com histórias para contar
Seguiu-se a visita à Casa da Ínsua, magnífico solar barroco da família Albuquerque.
Percorremos algumas das suas salas, a capela e os jardins, num ambiente onde a arquitetura, a história e a paisagem dialogam em perfeita harmonia.
Tivemos ainda o privilégio de contar com um guia muito especial: o colega Dr. Afonso Costa Santos Veiga, autor da obra Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, cuja disponibilidade e conhecimento enriqueceram significativamente esta visita.
Nelas - Pelas Memórias de António Lobo Antunes
Depois de um refinado jantar no Hotel Puro Dão — onde o dress code foi, maioritariamente, vermelho, em homenagem ao benfiquista ferrenho António Lobo Antunes e, já agora, em apoio à Seleção Nacional que jogava nessa noite — chegou o merecido descanso.
Na manhã seguinte, iniciou-se um dos momentos mais aguardados da viagem: o percurso literário "Pelas Memórias de António Lobo Antunes".
Fomos recebidos na Biblioteca Municipal António Lobo Antunes pela Dra. Paula Vitória e por um representante do Município de Nelas, que acompanharam o grupo ao longo de todo o percurso.
Entre ruas, jardins e paisagens do Dão, fomos escutando pequenos excertos da obra do escritor, percebendo como a memória, os lugares e a literatura se entrelaçam de forma quase inseparável.
O percurso terminou no Salão Nobre da Câmara Municipal de Nelas, onde fomos gentilmente recebidos pela Senhora Vereadora Elsa Maria Abrantes Loureiro Rodrigues, a quem agradecemos a simpatia e a forma calorosa como acolheu o nosso grupo.
Carregal do Sal - A coragem que continua a interpelar-nos
Depois do almoço, seguimos para o Museu Aristides de Sousa Mendes, instalado na Casa do Passal.
Poucos lugares conseguem tocar-nos da forma como este o faz.
Através dos diferentes espaços do museu, revisitámos a vida de Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordéus que protagonizou uma das maiores ações individuais de salvamento durante a Segunda Guerra Mundial.
A visita foi conduzida por Luís Medeiros, cujo entusiasmo, sensibilidade e extraordinária capacidade de comunicação transformaram uma visita histórica numa profunda reflexão sobre ética, responsabilidade e humanidade.
Mais do que conhecer o passado, fomos convidados a pensar o presente.
É impossível sair indiferente daquele lugar.
O regresso
No caminho de volta ainda houve tempo para uma paragem técnica em Sever de Vouga.
E, como todas as boas histórias merecem um último capítulo, não regressámos sem mais uma fotografia de grupo. Desta vez, com uma protagonista muito especial: Ana Mostardinho, da Busway. Alguns já a conheciam de uma Rota anterior; os restantes rapidamente perceberam porquê. A sua simpatia, profissionalismo, disponibilidade e boa disposição acompanharam-nos ao longo de toda a viagem. O nosso sincero obrigado.
Agradecimentos
A Biblioteca Escolar agradece a todos os participantes.
Obrigado pelo entusiasmo, pelo humor, pelas conversas, pelas músicas, pelas fotografias, pelas leituras, pelas gargalhadas e pela forma como cada um ajudou a construir esta XV Rota do Escritor.
Um agradecimento muito especial:
ao Dr. Afonso Costa Santos Veiga e à Casa da Ínsua;
à Biblioteca Municipal António Lobo Antunes;
à Dra. Paula Vitória e à Biblioteca Municipal;
à Câmara Municipal de Nelas e à Senhora Vereadora Elsa Maria Abrantes Loureiro Rodrigues;
a Luís Medeiros e à Casa do Passal;
Aos Estabelecimentos Cavadinha, pelo patrocínio de águas, fruta e snacks;
À Direção do AEA.
Todos contribuíram para que esta viagem fosse muito mais do que uma visita de estudo.
Foi uma celebração da literatura, da história, da amizade e da escola.
E, apesar do calor (que não foi pouco), regressámos mais ricos.
Mais ricos em memórias.
Porque, afinal, as melhores viagens não são aquelas que fazemos no mapa.
São aquelas que continuam dentro de nós.
Até à próxima...
A XV Rota do Escritor chega ao fim, mas deixa, como sempre, a vontade de continuar a viajar. Porque as melhores viagens não terminam quando regressamos a casa. Permanecem nas conversas, nas fotografias, nas leituras que ficam por fazer e na amizade que se fortalece quilómetro após quilómetro.
A atividade, organizada pela Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Arouca, há já quinze edições, tem procurado dar a conhecer escritores portugueses através dos lugares onde nasceram, viveram, escreveram ou deixaram marcas da sua memória.
Mais do que visitar monumentos ou percorrer estradas, cada Rota é um convite a ler o território, a descobrir a História, a compreender melhor a literatura e, sobretudo, a partilhar experiências que aproximam pessoas.
Como bem sintetiza o espírito desta iniciativa:
"Viajar com um escritor é um modo de vivificarmos as nossas raízes históricas, culturais, literárias e linguísticas. Viajar com a literatura é também uma forma singular de conhecimento e de fruição; é ainda um modo de evocar tradições, de enriquecer o nosso imaginário coletivo e de solidificar o sentimento identitário enquanto nação e enquanto cultura, com consciência da sua individualidade e riqueza."
Porque, no fundo, é isso que continuaremos a fazer.
Ler.
Viajar.
Partilhar.
E regressar sempre um pouco diferentes.
Veja aqui as edições anteriores da Rota do Escritor.
☙❧






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