sábado, 25 de julho de 2015

Direitos dos Leitores

por Sofia Pereira
« (…) Andava enquanto lia, uma mão no bolso, a outra, a que segurava o livro, um pouco estendida, como se enquanto lia nos oferecesse o livro (…) Apetecia-nos ler, e pronto…(…) O mais importante, era ele ler para nós em voz alta, era a confiança que ele colocava imediatamente no nosso desejo de compreender… O homem que lê em voz alta eleva-nos à altura do livro. Ele dá verdadeiramente a ler.
(…) Os livros não foram escritos para que o meu filho, a minha filha, a juventude, os comente, mas para que, se o coração assim decidir, sejam lidos.»
Daniel Pennac
Daniel Pennac reflete, no seu livro «Como um Romance», os motivos que levam os jovens a não gostarem de ler. A partir da sua experiência pessoal como professor, ele procura encontrar estratégias motivadoras que recuperem a paixão pela leitura nas faixas etárias mais novas, submissas à massificação dos media e da informação. Para o autor, torna-se primordial mostrar que o ato de ler deverá ser entendido como um ato de prazer e não de obrigação, uma atividade que desenvolverá a criatividade e deverá ser estimulada desde tenra idade e em voz alta.
A leitura é um alimento para a alma dos leitores e estes têm direitos inalienáveis, segundo Pennac:
  1. O direito de não ler
  2. O direito de saltar páginas
  3. O direito de não acabar um livro
  4. O direito de reler
  5. O direito de ler não importa quê
  6. O direito de amar os “heróis” dos romances
  7. O direito de ler não importa onde
  8. O direito de saltar de livro em livro
  9. O direito de ler em voz alta
  10. O direito de não falar do que se leu
Título: Como um Romance
Autor: Daniel Pennac
Editora: Asa

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Morre E.L. Doctorow


«O romancista norte-americano Edgar Lawrence Doctorow, conhecido como E.L. Doctorow e considerado como o mestre da ficção histórica dos Estados Unidos, morreu na terça-feira, aos 84 anos, após complicações relacionadas com um cancro no pulmão.» Ler no jornal  Sol.

«O autor de romances como Ragtime, que foi adaptado para musical da Broadway, eWorld's Fair, vencedor do Prémio Nacional do Livro dos Estados Unidos em 1986, morreu num hospital de Nova Iorque, informou ao jornal Los Angeles Times o filho do escritor, Richard Doctorow.» Ler no Jornal de Notícias.

«"E.L Doctorow foi um dos melhores romancistas dos Estados Unidos. Os seus livros ensinaram-me muito e a sua ausência será sentida", escreveu o presidente norte-americano.» Ler no Diário de Notícias.

«Billy BathgateRagtimeA Cidade de Deus e o elogiadíssimo The March, uma pilhagem amigável a Fernando Pessoa e o escritor preferido de Obama a seguir a Shakespeare. O escritor Edgar Lawrence Doctorow, aliás E.L. Doctorow, morreu terça-feira em Nova Iorque aos 84 anos de cancro de pulmão.» Ler no Público.

|notícia daqui|

Blimunda de julho já disponível


A edição #38 da revista Blimunda já se encontra disponível. Em julho, os destaques vão para o congresso sobre direitos e deveres humanos, que partiu de uma ideia de Saramago e decorreu na Cidade do México, e para as entrevistas ao autor de banda desenhada Marcelo D’Salete e a criadora do termo crossover, Sandra Lee Beckett. A revista para ler, aqui.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Grande Prémio de Romance e Novela para Mário Cláudio

O escritor, romancista e professor universitário, Mário Cláudio
O escritor, romancista e professor universitário, Mário CláudioFotografia © Leonel de Castro / Global Imagens

A Associação Portuguesa de Autores atribuíu hoje o Grande Prémio de Romance e Novela - 2014, ao livroRetrato de Rapaz de Mário Cláudio. O escritor vai editar um novo romance em setembro

O júri constituído por José Correia Tavares, que presidiu, Ana Paula Arnaut, Isabel Cristina Mateus, Maria João Cantinho, Miguel Miranda e Miguel Real, ao reunir pela 3.ª vez, decidiu maioritariamente atribuir o Grande Prémio de Romance e Novela ao livro Retrato de Rapaz de Mário Cláudio. Isabel Cristina Mateus e Maria João Cantinho votaram em Impunidade, de H. G. Cancela (Relógio D'Água).
Mário Cláudio que havia sido premiado, há 30 anos, com Amadeo, junta-se a Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol, únicos autores que entretanto bisaram.
Dos 86 livros admitidos ao concurso, de 64 homens (1 com 2 romances) e 21 mulheres, com a chancela de 35 editoras, o júri, na 2.ª reunião, já destacara 5 finalistas. Sendo que eram finalistas desta edição as obras Os memoráveis, de Lídia Jorge, Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes, Retrato de rapaz, de Mário Cláudio, No céu não há limões, de Sandro William Junqueira, e Impunidade, de H.G. Cancela.
Dotado com 15.000 euros, e atribuído a 28 autores (15 homens e 13 mulheres), de 18 editoras, o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DBLAB, instituído em 1982, teve, nesta 33.ª edição, o patrocínio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Fundação Calouste Gulbenkian, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Instituto Camões e Sociedade Portuguesa de Autores.
A editora D. Quixote anunciou entretanto que em setembro o escritor publicará um novo romance, intitulado Astronomia. A obra estará dividida em três partes, intituladas "Nebulosa", "Galáxia" e "Cosmos", referentes "a três fases fundamentais da vida do protagonista: a infância, a idade adulta e a velhice", explica a editora.

|notícia do Diário de Notícias|

terça-feira, 14 de julho de 2015

Os caminhos da literatura: na rota do escritor José Régio

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Qualquer roteiro literário baseado na obra e na vida de José Régio haverá de começar na terra onde nasceu – Vila do Conde. Aí se encontram os espaços onde passou a infância e a adolescência, os lugares onde elaborou parte substancial da sua obra literária, mas também aqueles que escolheu como cenário de muitas das suas obras.

Em Vila do Conde, onde nasce em 1901, José Maria dos Reis Pereira – que adotaria o pseudónimo de José Régio -, tudo conduz ao espaço íntimo do escritor.
Nesta cidade, várias casas estão ligadas à vida do escritor. Os participantes nesta atividade realizada pela BE da ESA (num total de 25 pessoas) iniciaram, portanto, este roteiro literário de José Régio pela visita que é hoje a sua Casa, propriedade da Câmara Municipal de Vila do Conde, inaugurada em setembro de 1975. Trata-se da casa em que Régio viveu parte da sua vida e onde viria a falecer em dezembro de 1969.
Como em todas as casas musealisadas que respeitam a disposição definida pelo seu ocupante, nesta pressente-se a atmosfera íntima imposta por Régio, a presença de figuras que o rodearam, as atividades que cultivou e os interesses que o moveram.
Para lá da contemplação de um importante espólio de objetos e de obras de arte (antiguidades e arte sacra em particular. Vimos um ex-voto de José de Morais Sarmento, de Vale de Arcos, natural da Porta, Santa Eulália, Arouca ) que lhe pertenceram, bem como um fundo de manuscritos, esta casa requer uma especial atenção ao jardim e ao mirante, onde José Régio passaria momentos de solidão e de criação.
Depois de almoço, e após visita guiada ao Centro de Memória, o grupo dirigiu-se ao Largo Antero de Quental. A este largo chegou, em outubro de 1881, o poeta de “Odes Modernas”, fixando residência na casa nº 3. É durante a sua permanência em Vila do Conde que escreverá alguns dos seus mais importantes textos. Antes de Antero, já Camilo Castelo Branco residira neste largo, numa pequena vivenda, cuja frontaria exibe um painel de azulejos, recordando a passagem do autor de “Amor de Perdição” pela vila da foz do Ave.
Concluímos este itinerário com a visita da capela da Senhora daGuia (“ Até Srª da Guia/me deixava ir devagar/até Srª da Guia/que entra já dentro do mar”, José Régio) e do seu molhe, onde podemos observar o rosto do escritor ValterHugo Mãe, esculpido pelo artista Vhils.

Esta atividade, como as realizadas em anos anteriores, pretendeu proporcionar um reencontro, um renovado abraço à literatura portuguesa na memória e na obra de um escritor, um pretexto para uma boa conversa e o início de uma nova descoberta em torno da nossa cultura e da nossa terra.

Se a visita a Vila do Conde e a visão do mar nos agradou, então terá valido a pena. Aprofundar a leitura e conhecer melhor a obra de José Régio (e dos outros escritores) é o desafio que se coloca, agora, a cada um de nós.
|ver fotos aqui|

Afonso Cruz vence Prémio Nacional de Ilustração 2014 com Capital


«O escritor Afonso Cruz venceu por unanimidade o Prémio Nacional de Ilustração 2014, com o livro Capital, uma narrativa visual "aberta a públicos de todas as idades".» Ler no Diário Digital.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Que livros escolher para levar de férias?

Ler na praia é um hábito que se repete
Ler na praia é um hábito que se repete

A escolha de um livro é muito diferente de pessoa para pessoa. Se o critério fôr o das tabelas de vendas, são os best-sellers que vencem. Mas há muito mais literatura além desses títulos.
O romance que está no primeiro lugar da preferência dos leitores é 'A Rapariga no Comboio', de Paula Hawkins. Mas o novo romance de Pedro Chagas Freitas, 'Queres Casar Comigo Todos Os Dias?' está a entrar em força na tabela, impedindo o policial da sueca Camilla Läckberg, 'O Olhar dos Inocentes', de as liderar. Entre os títulos mais estranhos o vencedor é: 'A Vida Secreta dos Intestinos', da médica Giulia Enders, um tema que parece seduzir muitos leitores conforme prova a sua permanência de semanas nas tabelas. Nada que também não suceda a um assunto tão diferente como o que o Papa Francisco aborda na sua mais recente encíclica, 'Louvado Sejas'. A grande surpresa nas aquisições dos leitores é a edição comemorativa dos 50 anos da editora D. Quixote, um dos maiores romances mundiais: Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes. Um clássico que pouco tem a ver com outra das grandes opções dos portugueses, a dos livros para colorir para adultos.

|por João Céu e Silva,in  Diário de Notícias|