sexta-feira, 27 de março de 2015

Morreu o Nobel da Literatura Tomas Tranströmer

Tomas Tranströmer no dia em que recebeu o prémio Nobel, em Estocolmo
Tomas Tranströmer no dia em que recebeu o prémio Nobel, em EstocolmoFotografia © Reuters

O poeta sueco Tomas Tranströmer, Prémio Nobel da Literatura em 2011, morreu esta quinta-feira. Tinha 83 anos.
Tranströmer nasceu em 1931, em Estocolmo. Os seus poemas estão traduzidos em 30 línguas, incluindo Português.
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Luís Miguel Rocha (1976-2015)

Luís Miguel Rocha (C) Mário Santos Porto Editora
Foto: ©Mário Santos

«O escritor Luís Miguel Rocha, 39 anos, autor de obras como O Último Papa, morreu hoje em Mazarefes, distrito de Viana do Castelo, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte próxima da família.» Ler na Visão.

«De acordo com a mesma fonte, o escritor encontrava-se doente há algum tempo, esteve internado no Hospital de Viana do Castelo e nos últimos dias estava em casa da família, em Mazarefes.» Ler no Diário Digital e no Observador.

«Nascido no Porto, em Fevereiro de 1976, o autor português escreveu vários livros com sucesso internacional, como o O Último Papa (2006, editora Saída de Emergência), que expõe uma teoria sobre a misteriosa morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, envolvendo a maçonaria italiana, e A Filha do Papa (2013, Porto Editora), sobre segredos do Vaticano.» Ler no Sol, n'A Bola e no Jornal de Notícias.

«Autor de obras como O Último Papa e A Filha do Papa, o escritor foi o primeiro português a entrar para a lista de best sellers do jornal norte-americano em 2009». Ler na TVI24, na RTP e na Rádio Renascença

«Antes de ser escritor, foi também tradutor, repórter de imagem e guionista. Na TVI, foi responsável pela transmissão das missas.» Ler no Expresso.

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quinta-feira, 26 de março de 2015

26 de MARÇO - DIA DO LIVRO PORTUGUÊS



Resultado de imagem para A Colher na Boca - Herberto Helder

É a 26 de março que se celebra o Dia do Livro Português.

O Dia do Livro Português foi criado pela Sociedade Portuguesa de Autores com o intuito de destacar a importância do livro e da língua portuguesa em todo o mundo e no saber da humanidade em geral.

Foi escolhido o dia 26 de março para esta celebração pois foi neste dia, em 1487, que se imprimiu o primeiro livro em Portugal: o “Pentateuco”, em hebraico. Ele saiu das oficinas do judeu Samuel Gacon, na Vila-a-Dentro, em Faro. Já o primeiro livro escrito em português foi impresso no Porto dez anos depois, a 4 de janeiro de 1497. Produzido pelo primeiro impressor luso, Rodrigo Álvares, o livro tinha o título de “Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto”. 

Grandes livros portugueses

Entre os grandes livros da literatura portuguesa citamos alguns:
  • Os Lusíadas – Luís de Camões
  • Os Maias – Eça de Queirós
  • Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco
  • Mensagem – Fernando Pessoa
  • Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente
  • Memorial do Convento – José Saramago
  • Sermão de St. António aos Peixes – Padre António Vieira
  • Peregrinação – Fernão Mendes Pinto
  • As Pupilas do Senhor Reitor – Júlio Dinis
  • Bichos – Miguel Torga
  • Viagens na Minha Terra – Almeida Garrett
  • Aparição – Vergílio Ferreira
  • Rimas – Bocage
  • O Livro de Cesário Verde – Cesário Verde
  • Clepsidra - Camilo Pessanha
  • Gaibéus - Alves Redol
  • Balada da Praia dos Cães – José Cardoso Pires
  • Mau Tempo No Canal - Vitorino Nemésio
  • As Mãos e os Frutos - Eugénio de Andrade
  • A Sibila - Augustina Bessa-Luís 
  • Pena Capital - Mário Cesariny
  • O Medo – Al Berto
  • A Colher na Boca - Herberto Helder
  • Felizmente Há Luar! - Luís de Sttau Monteiro
  • Sinais de Fogo - Jorge de Sena
  • Charneca em Flor - Florbela Espanca  
  • Poesia - Sophia de Mello Breyner Andresen

Os Livros

Apetece chamar-lhes irmãos,  
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

     José Jorge Letria,
Pela casa fora, 1997

quarta-feira, 25 de março de 2015

Blimunda de março


A 34.ª edição da revista Blimunda está em linha. Em março o destaque vai para Sebastião Salgado pela sua exposição Génesis, em abril na Cordoaria Nacional, e Juliano Ribeiro Salgado pelo documentário sobre a mesma mostra.
Há ainda entrevistas a Michael Kegler, Leonardo Padura e a Ana Maria Machado. Para ler aqui.

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terça-feira, 24 de março de 2015

PALAVRA DO MUNDO ESCOLAR 2014/2015_resultado

No âmbito da Semana da Leitura, sob o tema Palavras do Mundo, as Bibliotecas Escolares (BEs) do Agrupamento de Escolas de Arouca desafiaram a comunidade a escolher a palavra que marcaria o ano escolar de 2014/2015.
Das palavras sugeridas por alunos (80%), professores (8,9%), Encarregados de Educação (4,4%), funcionários (2,3%) e Outros (4,4%), foram selecionadas 9 que, durante a Semana da Leitura, foram a votos: acreditar (23), biblioteca (27), conduta (6), divertida (5), estudar (15), mudança (11), multiculturalidade (9), resiliência (17) e responsabilidade (13), num total de 126 participações.
E a palavra mais votada foi BIBLIOTECA com 21,43% dos votos!
Obrigado a todos quantos participaram  e a todos que escolheram a palavra biblioteca. 
Também achamos que é uma bonita palavra e que é, sobretudo, imprescindível numa escola!
"Sou cheia de cavidades, conteúdos, somas
Tábuas paralelas, segurando sonhos
Sou alta, larga, profunda – com glórias
Carrego das vidas, todas as histórias

Sou aquela que registra a própria civilização
Sou mais importante do que o pão
Sou forte, plena cortejada e vaidosa
Sou cheia de luz, em verso e prosa

Tenho brilho por ter romance de alguém
Sou altamente cultural também
Sou a que guarda os tesouros da terra
O Reino das palavras, na Paz e na guerra

Sou a que só se desfaz por acidente
Por incêndio - ou demente
Tenho páginas de rostos no meu Ser
Em belo acervo de aventura e prazer

Sou a que é certa por linhas certas
O mundo mágico dos Poetas
Sou a maravilhosa biblioteca
Reino da fantasia para mentes abertas"

Silas Corrêa Leite
A “PALAVRA DO MUNDO ESCOLAR 2014/2015” foi uma iniciativa no âmbito da Semana da Leitura para enaltecer o património da língua portuguesa, sublinhando a importância das palavras e dos seus diferentes sentidos no nosso quotidiano.

Morreu o poeta Herberto Hélder

Morreu o poeta Herberto Hélder
Fotografia © Alfredo Cunha / Porto Editora

O poeta, que nasceu em 1930 no Funchal, morreu em casa, em Cascais.

Morreu o poeta Herberto Hélder, aos 84 anos. O poeta que nasceu em 1930 no Funchal morreu em casa, na terça-feira, em Cascais.
De tão anónimo que fez questão de ser, Herberto Hélder não dava entrevistas, nem queria ser notícia a não ser pela sua poesia. Situação que se verificava desde há muito anos e que só foi interrompida no dia 19 de fevereiro quando, por intervenção do editor Manuel Valente, o fotógrafo Alfredo Cunha o fotografou.
Será essa, provavelmente, a sua última fotografia em vida, na qual o rosto não está muito diferente das imagens antigas que se conheciam do poeta. Até porque os fotogramas são a preto e branco.
Herberto Helder Oliveira nasceu no Funchal 23 de novembro de 1930. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mudou-se para Lisboa, onde exerceu profissões como jornalista, bibliotecário, tradutor e apresentador de rádio. Foi redator da revista Notícia em Luanda, em 1971, e colaborador da revista Pirâmide.
Se até boa parte da sua vida esta era pública, nas últimas décadas fechou-se à exposição mediática, facto que o rodeou tanto de mistério como de alguma curiosidade sobre a sua vida. Entre os fenómenos decorrentes deste fecho à sociedade esteve também a enorme valorização dos seus últimos livros, sendo as edições em número de cinco mil exemplares para uma procura acentuadamente superior.
Negou-se a dar entrevistas e quando em 1994 foi escolhido pelo juri do Prémio Pessoa recusou o galardão. Recentemente, deixou a editora de muitos anos, a Assírio & Alvim, e surpreendentemente mudou-se para a Porto Editora.
Casou duas vezes. Entre as suas obras mais importantes está 'Photomaton & Vox', bem como a antologia 'Poesia Toda'.

por João Céu e Silva, in Jornal de Notícias

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sexta-feira, 20 de março de 2015

Dia Mundial da Poesia 2015


O Dia Mundial da Poesia celebra-se dia 21 de março e foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999.
O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.

Em Arouca, temos duas atividades: “Frequência com Poesia” e “Estendal Poético”.

“Frequência com poesia” e “Estendal Poético” são atividades conjuntas da Biblioteca Municipal de Arouca e das Bibliotecas Escolares dos Agrupamentos de Escolas de Arouca e de Escariz.

Estendal Poético

Apresentação dos 10 poemas selecionados para a atividade “Frequência com Poesia”, em forma de “estendal”, impressos em t-shirts coloridas, em espaço público do concelho de Arouca e na Escola sede do Agrupamento.




Frequência Poética na Rádio Regional de Arouca  (103.2 FM)

9 h- poema 9h A saudade, Texto Aida Alves , 7.ºD | Voz: Prof. Adelaide Peres | Escola Secundária de Arouca

11 h- poema 11h ( A Natureza, Texto e Voz: Rui Silva Almeida, 4.º A | EB1 de Arouca

12 h- poema 12h ( Clic Clic, faz o nosso computador, Texto: 4.º Ano | Voz: Mafalda Moreira , 4.º Ano | Escola Básica e Secundária de Escariz

13 h- poema 13h ( Sonhar, Texto: Inês Alves, 9.ºA | Voz: Augusta Reis , 9.ºA | Escola Básica e Secundária de Escariz

15 h- poema 15h ( Lágrimas, Texto e Voz: Tiago Pinho, 10.ºC | Escola Secundária de Arouca

17 h- poema 17h (Se eu fosse uma flor, Texto: 5.ºC | Voz: Ricardo Almeida , 6.ºA | Escola Básica e Secundária de Escariz

19 h- poema 19h (Poesia é metade, Texto: Silvana Silva 12.ºA | Voz: Márcio Oliveira , 12.ºA | Escola Básica e Secundária de Escariz

20 h- poema 20h ( Poema ao Amor, Texto: Funcionária Luisa Alves | Voz: Rafael Gomes, 6.º F | Escola Básica de Arouca

21 h- poema 21h ( A Guerra, Texto e Voz:  Ana Alexandre Fernandes, 6.ºA| Escola Básica de Arouca

22 h- poema 22h Taça de beijos, Texto: Prof. Isabel Brandão | Voz: Matilde Silva, 11.ºA |Escola Secundária de Arouca

 


FREQUÊNCIA COM POESIA by Esabibcr on Mixcloud

Semana da leitura 2015 - Vencedora do DESAFIO_5

E a vencedora do desafio_5 (Qual a palavra?) é a aluna da ESA, Marta Sofia Paiva Pinho.


Marta Pinho frequenta o 8º ano, turma C e gosta de ler.

Um livro: os livros da coleção "Os primos"

Um autor: Mafalda Moutinho. Mas também Antoine de Saint-Éxupéry.

O que gosta de fazer nos tempos livres: ouvir música e fazer pesquisas na net.

Lema de vida: "Ajudar o próximo."

A vencedora recebeu a gramática de Português, da Porto Editora.

Semana da leitura 2015 - Vencedor do DESAFIO_4

E o vencedor do desafio_4 (Quem é o autor?) é o aluno da ESA, Emanuel Tavares.




Emanuel Tavares frequenta o 11º ano, turma C e gosta de ler.

Um livro: Ilha Teresa

Um autor: Richard Zimler

O que gosta de fazer nos tempos livres: Ler, estar com os amigos e, sobretudo, conviver.

Lema de vida: "Segue cada dia como um novo dia e nunca olhes para trás."

O vencedor recebeu o livro Os transparentes, de Ondjaki.



Semana da leitura 2015 - Vencedor do DESAFIO_3

E o vencedor do desafio_3 (Quem canta o poema?) é o professor José Manuel Resende Rosa.




Professor do Ensino Secundário, nasceu a 23 de julho de 1961 e é atualmente o diretor do Centro de Formação de Professores, CFAE AVCOA - Centro de Formação de Associação de Escolas dos Concelhos de Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis.

Gosto de ler, lê muito, ultimamente sobretudo em suporte digital. E gosta muito duma pequena coleção, a que chama "Livros com Alma", livros autografados pelos seus autores ...

Um livro: A Selva

Um autor: Ferreira de Castro

O que gosta de fazer nos tempos livres: Estar com a Família

Lema de vida: O mais importante são as pessoas!

O vencedor recebeu o livro Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo, de Haruki Murakami.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Semana da leitura 2015 - Vencedor do DESAFIO_2

E o vencedor do desafio_2 (Onde está o poema?) é um aluno da ESA -  o Tiago Pinho.


O Tiago frequenta o 10º ano, turma C. Nasceu no dia 15 de outubro de 1999. Gosta de ler e o seu autor preferido é o Ricardo Araújo Pereira.
Nos tempos livres gosta de comer, de jogar futebol, escrever poesia, ouvir música e pensar.

Lema de vida: "Semear para colher".


O vencedor recebeu o livro Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo, de Haruki Murakami.



Semana da Leitura 2015 - A pressão dos mercados

4º poema (quinta-feira, dia 19) 


A pressão dos mercados


Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me

sílabas a crédito, para que as ponha a render

no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,

para que me limite a imagens simples, as mais

baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume

do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?


É que as palavras estão caras. Folheio dicionários

em busca de palavras pequenas, as que custem

menos a pagar, para que não exijam reembolsos

se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O

problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.


E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,

a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,

esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,

a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.

A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.

A pressão dos mercados, in Fórmulas de uma Luz Inexplicável  

Nuno Júdice


Desafio_5 - Qual a palavra? Qual a palavra 

portuguesa que a língua inglesa inveja?


O primeiro a indicar a palavra, ganha um prémio. 

Participe aqui

Obrigada.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Semana da Leitura 2015_Palavras do Mundo_Desenrascanço

A palavra em português que a língua inglesa inveja: “desenrascanço”

O site Buzzfeed elegeu 28 palavras que a língua inglesa deveria roubar a outras línguas. A Portugal eles querem vir buscar uma palavra que dificilmente poderia ser mais portuguesa: "desenrascanço".
Autor
Há palavras em japonês (“tsundoku” — comprar e acumular livros que nunca lemos), indonésio (“jayus” — uma piada tão mal contada que não resistimos a rir dela), norueguês (“utepils” — beber uma cerveja ao ar livre num dia de sol) ou georgiano (“shemomedjamo” — continuar a comer apesar de estarmos cheios, por estar a saber tão bem). E no meio de uma vintena de línguas, há também uma palavra em português: “desenrascanço”.
site Buzefeed elegeu “28 belas palavras que a língua inglesa deveria roubar”, por lamentavelmente não existirem sinónimos no idioma do senhor Shakespeare. E a prova de que o trabalho foi bem feito está tanto na qualidade das palavras escolhidas (a maior parte das quais, diga-se de passagem, a língua portuguesa também deveria roubar), como no facto de a palavra gualdripada ao português não poder ser melhor escolhida.
Não foi “fado”, não foi “saudade”, foi mesmo “desenrascanço”, que é assim traduzida: “the last minute improvisation of a hasty but perfectly sound solution; pulling a MacGuyver”. Ou seja: “improvisação de última hora de uma solução apressada mas perfeitamente eficaz”. É mesmo isso. A que se segue uma palavra em inglês que não tem exactamente tradução na língua de Camões, mas que é sempre uma bonita citação de um extraordinário ícone dos anos 80…
macgyver
…que, sim, foi o grande mestre internacional do desenrascanço.
Só lhe faltou mesmo ser português.


Semana da Leitura 2015_O Limpa-Palavras

3º poema (quarta-feira, dia 18) 


Limpo palavras

Recolho-as à noite, por todo o lado:

a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.

Trato delas durante o dia

enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.



Quase todas as palavras

precisam de ser limpas e acariciadas:

a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.

Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.



A palavra pedra pesa como uma pedra.

A palavra rosa espalha o perfume no ar.

A palavra árvore tem folhas, ramos altos.

Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.



No fim de tudo voltam os olhos para a luz

e vão para longe,

leves palavras voadoras

sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.



A palavra obrigado agradece-me.

As outras não.

A palavra adeus despede-se.

As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.



Vão à procura de quem as queira dizer,

de mais palavras e de novos sentidos.

Basta estenderes a mão para apanhares

a palavra barco ou a palavra amor.


Limpo palavras.

A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.

Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.

A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.



Desafio_4 - Quem é o autor deste poema?


O primeiro a indicar o autor, ganha um prémio. 

Participe aqui

Obrigada.